Nasajon Educacional
fev 102009
 


Colocar uma escola de samba na avenida não é tarefa das mais simples. Para que ela desfile luminosa, vibrante, alegre e sem buracos, o trabalho começa logo depois que o desfile acaba. E nada pode dar errado. Assim como em qualquer empresa, um desfile, que se assemelha a um grande projeto, tem começo, meio e fim e segue uma rígida e controlada estrutura e organização para alcançar os objetivos programados. No caso: a vitória!

Sim, tanto as empresas quanto as escolas de samba têm muito a aprender umas com as outras. As empresas sonham em ter colaboradores envolvidos, motivados, criativos e trabalhando em equipe. Já, os carnavalescos lutam o ano todo para planejar, organizar e executar seus desfiles assim como as melhores empresas. O fato é que as escolas de samba conseguem todos estes elementos de uma forma muito mais natural, fácil e barata que as empresas.

A razão para que isto ocorra é simples e chama-se paixão pelo trabalho. É no que acredita Sidnei Carrioulo, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo e da Escola de Samba Águia de Ouro, de São Paulo. “Para trabalhar em nossa escola, em primeiro lugar, temos de ter certeza que a pessoa gosta do que vai fazer. Quando a pessoa vem até nós porque está procurando um emprego, o seu compromisso é limitado. Ter demonstração de amor e de afinidade pela escola faz toda a diferença”, explica o sambista. “Já pensou se um funcionário fosse apaixonado pela sua empresa?”, questiona.

Para ele, a organização mantida pelas escolas de samba tem de ser bastante próxima da perfeição. E a escola precisa fazer com que isto fique muito claro na cabeça de todos os integrantes. “Todos precisam estar comprometidos com o resultado final, com a vitória da sua escola. Se isso acontecesse dentro das empresas, todas seriam vencedoras”, explica Sidnei. Para auxiliar esta organização, assim como nas empresas, as escolas estão divididas em departamentos, cada qual responsável por suas tarefas.

Mesmo com nomes diferentes, existe muita semelhança entre a estrutura de ambas as instituições. Nas escolas de samba, tudo começa com o setor que faz o planejamento. “Também há o setor responsável pelas compras, o setor de Harmonia, que corresponde à produção, e a bateria, que seria o coração de uma empresa”, compara Sidnei. Para ele, um dos setores mais importantes é a Harmonia, que, inclusive é um dos quesitos avaliados pelos jurados.

“O diretor de Harmonia é o responsável pelo andamento da escola. Ele controla se o que foi planejado está sendo executado e tem a obrigação de fazer a ligação de tudo o que foi feito por todos os setores. Tudo tem de estar condizente com o tema e tem de acontecer ao mesmo tempo”, mostra Sidnei. Ter um alinhamento de cultura e de discurso é uma outra grande semelhança entre as duas instituições.

E como as escolas de samba conseguem isso tão facilmente e empresas não? Além do amor e da afinidade com a agremiação, há uma democracia muito grande nesses locais em prol da concentração e do comprometimento com a escola. “Na hora do ensaio, quando a bateria começa a tocar, os problemas de todos ficam para segundo plano. Assim como sua profissão e sua condição social. Todos são iguais e nada mais importa. Não há como não se envolver”, lembra Sidnei.

Todo esse sentimento de pertencimento a uma mesma cultura e o incentivo à participação da comunidade é despertado por meio de diversas técnicas. Incluindo um trabalho especial para acabar com o preconceito que muitos ainda têm com relação ao carnaval. “Temos de mostrar que o carnaval não é orgia e mulher pelada. Para nós, é cultura e educação. Além disso, mostramos que ao mesmo tempo em que o integrante se diverte está aprendendo e desempenhando um papel muito sério. Ou seja, mesmo se divertindo, é possível ter comprometimento com uma causa, com resultados e com a melhoria de vida”, explica Edison Francisco Paulino, mais conhecido com Buiú, diretor de Harmonia da Vai-Vai.

Para detalhar melhor essa questão da relação do prazer com o trabalho, o diretor de Harmonia faz uma comparação direta com as organizações. “Essa motivação funciona de modo semelhante ao que ocorre no departamento de Vendas de uma empresa. Sempre tem alguém no seu pé. Você tem sempre que correr atrás de metas, pois sempre tem um concorrente atrás. Tem que mostrar resultados a todo instante e para isso, precisa ser diferente”, explica Buiú.

Assim como em uma empresa, numa escola de samba também existem as mais diversas profissões e os mais distintos perfis de pessoas. As profissões que mais encontram trabalho no carnaval são os serralheiros, os aderecistas, os marceneiros e as costureiras. Para uni-los em torno dos mesmos objetivos, todos devem obedecer a uma hierarquia. “Todos respondem para um diretor. Mas também existem os supervisores, o pessoal de execução e os que conferem tudo. É como numa linha de montagem”, detalha Buiú.

Escolas de samba e empresas também têm procurado desenvolver a questão da responsabilidade social. É outra característica comum entre ambas. Para as escolas de samba, ajudar a comunidade faz parte da sobrevivência. “Se não desenvolvermos o lado social, não há comunidade conosco. É uma troca. Então, aqui na Vai-Vai desenvolvemos diversas atividades para ajudar quem nos ajuda o ano todo”, explica Buiú. Ao longo do ano, a Vai-Vai, que está localizada na Bela Vista, em São Paulo, promove aulas de costura, capoeira, línguas, computação, além de promover doação de alimentos, por exemplo.

Um sentimento que ambas também compartilham é a perda. Tanto empresas quanto as escolas de samba trabalham num ambiente de competição e, por isso, há poucos vencedores. A palavra-chave para manter a harmonia e a união para as próximas batalhas é: dever cumprido. “Todos sabem que estamos participando de uma competição. Então, o mais importante é desenvolver o projeto da melhor forma possível. Mesmo assim, se o outro te superou, essa derrota deve servir como base para você evoluir para a próxima etapa”, explica Sidnei. É como trabalha a Vai-Vai, onde os erros são analisados e trabalhados com todas as pessoas envolvidas. “Os erros, na verdade, são oportunidades de melhorias”, aponta Buiú.

Se melhorar o que saiu de errado no projeto é fundamental para sempre alcançar melhores resultados, a inovação é responsável por não deixar que tanto as empresas quanto as escolas de samba deixem de existir. Essa é outra característica comum entre ambas. Por exemplo, os desfiles deste ano devem superar os de 2008 e assim por diante. Para isso, é fundamental existir a inovação, tanto em materiais quanto nas coreografias. Assim como numa empresa. “Por mais que um produto tenha boa saída, alguém sempre vai procurar te superar. É uma roda gigante. Num momento, você está em cima. No outro, você está embaixo”, reflete Sidnei.

Daniel Limas



Pepe Lavandeira

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Administrador de Empresas com Pós em Administração de Empresas e Gestão de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas, com experiência em formação de executivos, capacitação e aperfeiçoamento em ações estratégicas, através de treinamento e desenvolvimento de pessoas. Consultor e Analista de Marketing Digital, fundador do GPN, gerador de conteúdo relevante sobre Gestão de Pessoas e Negócios em ambiente Web 2.0. Disponibilidade para atuar como consultor para projeção de marca (empresa) ou nome pessoal em mídia digital, bem como na elaboração e divulgação de cursos e treinamento.


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