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Claudio Moreira – GPN
A Educação à Distância (EAD) é uma metodologia adequada para atender adultos com compromissos familiares e profissionais pois permite a continuação dos estudos sem o abandono de outras atividades, justamente por apresentar características de flexibilidade de espaço e tempo, podendo adaptar-se às diversas demandas. Seu grande diferencial está em proporcionar ao aprendiz a opção de escolher o próprio local e horário de estudo, bem como a possibilidade de se gerar produtos customizados, totalmente adaptados às necessidades dos clientes. Apesar do custo inicial por vezes ser elevado, a economia de escala gerada pelo EAD compensa seu investimento e seu sucesso baseia-se na tendência no atual mundo dos negócios, de deslocar-se o foco do ensino, da sala de aula para o aprendizado no próprio local de trabalho, agilizando-se o processo de disseminação de informações e a transformação das mesmas em conhecimento, tão caro ao ambiente empresarial em constante mudança.
A mudança de foco implícita no EAD não é apenas geográfica. Seria um enorme desperdício de tecnologia e criatividade transferir in natura uma sala de aula com toda sua estrutura secular para um PC, ignorando a mudança verdadeira de foco, presente na relação hierárquica entre professor e aprendiz. O sucesso do EAD presume entre outros aspectos que o aprendiz, longe de um ambiente tutelado como uma sala de aula, será o responsável maior pelo ritmo de aprendizado e que por ser adulto (adultos ainda são o grande público do EAD), o aprendiz é naturalmente auto-direcionado ao aprendizado. Gostaria então me reter neste aspecto do EAD, o auto-direcionamento do adulto para o aprendizado, o aluno no centro do processo.
Este aspecto baseia-se na suposição de que adultos controlam seu processo, escolhem seus objetivos e métodos de aprendizado e avaliam seu progresso. Este auto-direcionamento atualmente é tão difundido que justifica a existência de simpósios internacionais que discutem anualmente teorias e pesquisas na área. Uma análise nas pesquisas de autores americanos, canadenses e australianos suscita questões sobre a dimensão deste auto-direcionamento. Alguns livros publicados no Canadá e África do Sul discutem o auto-direcionamento como um dogma na educação de adultos, bem como recentes trabalhos de autores americanos que alertam para a importância dos aspectos culturais na formação deste auto-direcionamento nos levam a analisar mais a fundo vários fatores como a experiência prévia do aprendiz, a importância das tarefas inseridas no contexto do EAD e como a inserção em redes ou turmas- as comunidades de aprendizagem- podem influir no auto-direcionamento.
Os profissionais de EAD devem estar atentos a este aspecto, pois como vimos acima, esta “independência” do adulto quanto à sua aprendizagem, longe de ser um consenso, é tema de estudos em várias partes do mundo. Exatamente por isso, o EAD não pode ser focado apenas na tecnologia, imaginando-se tratar de um sistema que funcione sem a intervenção humana, o ocaso do professor. Longe de ser desnecessária, a presença humana faz toda diferença num EAD de qualidade. Seu papel é desempenhado pelo tutor, um profissional que deve ser hábil o bastante para coordenar as ações coletivas através de instrumentos como salas de chat e fóruns, evitando o isolamento do aprendiz e permitindo que o mesmo enriqueça seu aprendizado com experiências dos demais participantes da comunidade de aprendizagem. Mais do que isso, o tutor deve ser a encarnação virtual do treinador, aquele profissional que exige de sua equipe o melhor, que cria condições para que cada integrante desta equipe desenvolva-se, que extrai o supra-sumo de cada aprendiz.
Para muitos estudiosos, estamos na “era do conhecimento” O contexto atual se caracteriza por mudanças aceleradas nos mercados, nas tecnologias e nas formas organizacionais, e a capacidade de gerar e absorver inovações vem sendo considerada, mais do que nunca, crucial para que um agente econômico se torne competitivo. Entretanto, para acompanhar as rápidas mudanças em curso, torna-se de extrema relevância a aquisição de novas capacitações e conhecimentos, o que significa intensificar a capacidade de indivíduos, empresas, países e regiões de aprender e transformar este aprendizado em fator de competitividade para os mesmos. Para que o EAD encaixe-se como uma luva nesta nova era, uma outra terá que surgir, a “era da maturidade”, uma época que o auto-direcionamento será realmente um dogma, uma realidade incontestável, cada pessoa procurando seu desenvolvimento e cursando programas de EAD como mesmo afinco com que estaria num curso presencial. Até lá o tutor, mais do que um professor, terá de apresentar um espírito de técnico de futebol, incentivando, cobrando e eventualmente indo à beira do campo dar uns gritos.


[... blog Brasil – Liberdade e Democracia - http://brasillivreedemocrata.blogspot.com/...]
Olá!
Atualmente, a busca do conhecimento é muito forte e a necessidade de conhecer, do saber é extremamente importante para o nosso futuro profissional e para o nosso cotidiano. Os sistemas de ensino à distância vem muitas vezes preencher uma lacuna da falta de tempo, dinheiro ou de dificuldade de deslocamento. Muitas vezes, pode-se aprender mais nesses cursos à distância do que nos cursos presenciais. Para isso, é necessário que haja uma interatividade, os alunos tenham um forte interesse, tenham facilidade de estudar sozinhos e existam exercícios e provas.
Essa é uma ferramenta que deve ser insentivada, evidentemente com bastante critério e com o máximo de planejamento e elaboração para que leve o conhecimento ás pessoas de forma eficiente.
Abraços
Francisco Castro
Querido Laguardia,
Entendo a sua indignação, mas a política interna do GPN não permite abordar assuntos “offtopic” nos comentários em respeito aos nossos autores. Por este motivo o seu comentário foi editado.
Em obediência à nossa política de Do Follow, mantivemos o link apontando para o seu Blog.
Contamos com sua compreensão,
Pepe Lavandeira
Este é um tema bastante interessante.
Há menos de 1 mês lí uma triste notícia, onde a entidade pioneira no Brasil em EAD e maior em número de alunos, teria que encerrar suas atividades devido a aspectos legais. Por coincidência, na mesma semana assisti a uma reportagem de indígenas se formando na Universidade, em plena Amazônia, graças a esta mesma entidade, utilizando-se de tecnologia via satélite.
Curiosamente, as notas de avaliação de formandos são iguais ou até melhores do que as dos cursos presenciais.
É claro que este sistema destina-se a um público específico, mas com certeza é um caminho sem volta e totalmente integrado à globalização pela qual passamos.
É de extrema utilidade em políticas públicas de democratização do ensino e a baixo custo.
Outra utilidade da EAD é no ambiente corporativo.
Parabéns pelo artigo!
Pepe Lavandeira