Lucimar Delaroli – GPN

Hoje, assisti nos noticiários, que uma importante organização de captação de estudantes para vagas de estágio em empresas, estava com inúmeras vagas em aberto e uma total escassez de   candidatos (estudantes). A matéria dizia que os estudantes, neste período de férias, deixam de procurar estágios para descansarem; só retornando às buscas, após o reinício do período letivo. 

Porém, após um ano de turbulência com mercado de trabalho estagnado, este início de ano apresenta-se otimista e muitas empresas estão oferecendo vagas, não só de estágio, como de trabalho. Tudo o que ficou retido em 2009 está sendo ofertado agora. Então, por que será que os estudantes tiram férias não só da escola como também da busca pelo tão sonhado estágio?

Vejo isso também no mercado de empregos. Há inúmeras empresas, de diferentes portes e segmentos, que têm vagas em aberto ha meses e que não encontram candidatos qualificados para ocupá-las.

Vivemos então um paradoxo: por um lado, temos uma massa de trabalhadores de baixa qualificação profissional em busca de colocação;  somados a uma massa de jovens entrando no mercado de trabalho em busca do primeiro emprego, muitos deles vindos do ensino médio ou profissionalizante e outra massa de jovens recém formados em busca de sua primeira oportunidade, com boa qualificação, mas com nenhuma experiência.

Minha percepção foi corroborada pelo recente estudo realizado pelo Economist Intelligence Unit (EIU), ligado a revista The Economist, a pedido da FedEx Expresse e da Dell, que desejavam saber se os trabalhadores da América Latina possuem habilidades necessárias para atuar no mercado global e competitivo de hoje . Sabe qual é a resposta? Não. E esclareceu que “os alunos que estão se formando no ensino superior e ingressando no mercado de trabalho frequentemente não possuem habilidades interpessoais.

Há uma vertente que diz que as organizações estão muito “elitistas” e que até para tirar xerox ou servir cafezinho, pede-se nível superior. Vide concursos para lixeiro, tem gente até com Mestrado!

É claro que a ênfase dos programas educacionais é errada. As Escolas pouco ou nada preparam os estudantes para o atual mercado de trabalho. Também é óbvio que o nosso nível de crescimento econômico – apesar dos bons prognósticos – não gera a quantidade de postos de trabalho necessária para alocar todo este contingente de entrante e de desempregados. Nossa política de apoio ao trabalhador desempregado também é equivocada. Às vezes vale mais à pena viver dos subsídios “bolsa disso e daquilo” que o governo oferta, do que trabalhar. Em muitos casos ganha-se mais que o salário mínimo! Onde está a ação de qualificação ou de requalificação para ajudar ao trabalhador desempregado a se preparar para este mercado de trabalho tão competitivo? Ainda temos a questão da informalização e da precarização da mão de obra… a ladaínha segue!

O que quero destacar é que, além de todos estes importantes fatores, ainda temos o despreparo de grande parte dos trabalhadores em termos de Competências comportamentais! Isso é sério! As organizações estão tendo que assumir o preparo de seus profissionais em termos de comportamentos adequados. Educar, acabou ficando por conta das empresas! Atuei por um tempo com recolocação e seleção de pessoal e a incompetência de muitos candidatos com currículos maravilhosos é gritante! Competências como: resiliência, assertividade, empreendedorismo, assumpção de erros, tomada de decisão, cooperação, trabalho em equipe, entre outras tão requisitadas para competir neste mundo globalizado e “tecnologizado” são tão pouco ou mal desenvolvidas… Tudo bem, estou falando de competências “sofisticadas”. Vamos as mais básicas: educação (comer, vestir, falar, entrar, sair), higiene (limpeza, asseio, aparência) e segurança (própria, do outro e do patrimônio); respeito ao direito do outro, lidar com a diversidade….

Onde um profissional pode adquirir tais competências? O que o mercado, em geral, acaba fazendo é o uso exagerado do “darwinismo”, ou seja, o mais adaptado sobrevive. Quem já as possui, por herança genética ou oportunidades propiciadas pela família, terá mais chances.

A pergunta que deixo e adoraria ouvir sua opinião é: Mas, o que fazer com os milhões de trabalhadores e jovens que não desenvolveram competências nem técnicas e muito menos comportamentais para atuar neste mercado? Seja por falta de oportunidade ou de visão, não importa. O que fazer? Qual o nosso futuro mantido este contexto?

Lucimar Delaroli, é psicóloga organizacional, mestranda em Gestão do Conhecimento, com MBA em Gestão de Pessoas, atuando como Facilitadora  de Treinamento e treinadora de líderes há 20 anos.

e-mail: l.delaroli@yahoo.com.br 



Comentários

Lucimar Delaroli

  4 Comentários para “|Artigo|Desemprego X Escassez de Mão de Obra”

  1. Ha muito tempo se fala que não existe emprego para a população, mas o que realmente acontece é que existe empregos sim, mas só para mão-de-obra qualificada e isso sim está em falta!

  2. Pessoal,

    Para estimular o debate, este assunto está sendo tratado no nosso fórum e foi por lá que eu acrescentei o comentário anterior.

    É só clicar no link abaixo do título para acompanhar a discussão sobre o tema sugerido pela Lucimar.

    Participem!

    Pepe Lavandeira

  3. Parabéns pelo artigo Lucimar, ele realmente retrata uma realidade que muitos porofissionais de RH, como eu, enfrentam.

    O que mais assusta é a falta de competência comportamental, e como bem disse, coisas básicas. As técnicas são mais fáceis de serem adquiridas, bastam bons treinamentos.

    A educação deixou de ser fator importante para algumas pessoas, e isso não está relacionado apenas à educação escolar, mas também à familiar. Não tenho visto muito essa herança genética, tão bem valorizada no passado.

    Mas, as perguntas são: ” que fazer com os milhões de trabalhadores e jovens que não desenvolveram competências nem técnicas e muito menos comportamentais para atuar neste mercado?”

    Enquanto empresa o que se pode fazer é ser o mais verdadeiro possível. Dizer os motivos pelos quais não estão se saíndo bem. Isso é possível nos processos seletivos, pois muitos saem “se achando”, porque não tiveram um retorno adequado e no meio do caminho “se perdem”.

    “O que fazer? Qual o nosso futuro mantido este contexto?”
    É possivel fazer alguma coisa, o difícil é descobrir o quê. São tantas bolsa disso e daquilo que ficamos até sem criatividade.

    Penso que, uma saída pode ser a qualificação desses profissionais pela empresa, sem o compromisso do emprego e sim o compromisso com a recolocação. Como não é só da parte técnica que estamos falando, deve-se inserir a parte comportamental.

    Através do Projeto ApoiaRH, realizado pela empresa que trabalho, fazemos um trabalho de recolocação com orientação técnica e comportamental.

    Os profissionais estão saíndo para outras empresas com um algo a mais. Nós, sentimo-nos gratificados em saber que conseguimos contribuir com a recolcoação e com o primeiro emprego.

  4. Carla Coelho, eu discordo quase que 100% acerca de suas afirmações.

    “A educação deixou de ser fator importante para algumas pessoas”.

    What ever gave you such an idea?

    Estamos tratando de um povo sofrido e humilhado, o que as empresas esperam de um povo assim? Boas qualificações? Esperança de que a empresa seja fiel a eles? Existe fidelidade ainda neste país?

    Eu sou um bom profissional, tenho certeza da minha capacidade, sou tecnólogo em telecomunicações e redes externas com 5 anos de experiência no mercado, tenho crea e me sinto apto a trabalhar com redes de dados também. Estou desempregado a mais de um ano, por que eu quero? Não! É claro que não. Quem não gosta de trabalhar é bandido. A questão é o foco da empesa e aquilo que os profissionais de RH são COMANDADOS a fazer. Escolher o melhor profissional pagando o mais baixo possível. Selecionam pessoas como se estivessem selecionando galinhas na granja. Faça um estudo social do país onde você vive antes de fazer uma postagem como essa, cada vez mais vou tendo certeza da forma horrível como os empresários enxergam as pessoas e como o sistema de seleção é formado.

    Desculpe-me por expressar-me de forma amarga, mas não sei se existe outra forma de se aprentar num discurso como este.

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