Nasajon Educacional
abr 042009
 


Bruno Sampaio – GPN

valoresNo início da elaboração de uma estratégia empresarial, são considerados – ou definidos, no caso de uma nova empresa – a missão, a visão e os valores da empresa. Essa consideração é necessária pois são essas informações que darão o direcionamento inicial para a nova estratégia, além de interferirem diretamente na forma como serão traçados os objetivos organizacionais.

Entretanto, mesmo que muitas vezes de maneira não intencional, os valores são desconsiderados desse processo, isto é, são observadas apenas a missão e a visão da empresa, uma vez que muitos consideram os valores algo já comum e invariável em todas as empresas.

Como em todos os conceitos, há uma multiplicidade de definições de valores, mas consideraremos aqui a definição de Kluckholm1, que definiu valor como “uma concepção explícita ou implícita do desejável, que influencia a seleção entre modos, meios e conclusões de ações disponíveis”.

O processo estratégico (formulação, planejamento, implantação e administração estratégica) é uma responsabilidade do grupo de comando da empresa. É ele que determina o que a empresa é e o que quer ser, o que a empresa faz e o que quer fazer. Por isso, os valores do grupo de comando têm enorme importância não só para o planejamento estratégico, mas também para a vida de todos que trabalham na empresa. E é este ponto que deve ser considerado.

No momento da elaboração da estratégia empresarial, os valores que estão ativos nessa atividade são daquelas pessoas que estão envolvidas diretamente – ou, em alguns casos, como em pequenas empresas, da única pessoa envolvida no processo, o sócio. Isto significa que a estratégia é elaborada de acordo com aquilo que os envolvidos têm por desejável. Como exemplos, podemos dizer:

  • Os dirigentes que possuem mais aptidão ao risco, tendem a elaborar estratégias mais inovadoras e arriscadas;
  • Os dirigentes que zelam pela segurança, tendem a preferir estratégias que incluam atributos como “sedes próprias”, bem localizadas, reservas imobilizadas em prédios e terrenos, pouca utilização da alavancagem;
  • Os dirigentes que acreditam na experiência acima de tudo, tendem a valorizar a seus históricos pessoais e profissionais no momento de considerar mudanças.

De fato, esses exemplos não são regras. Todavia, é necessário compreender que os valores pessoais e profissionais daqueles que comandam a empresa influenciam diretamente na elaboração da estratégia. E é nesse ponto que entra algo muito importante: os valores e a execução da estratégia.

Uma empresa não é constituída apenas por aqueles que a comandam – exceto empresas em fase inicial, em que apenas os sócios são responsáveis por todo o negócio. Uma empresa é também constituída por funcionários, os quais também possuem seus valores pessoais e profissionais.

Quando nos referimos à cultura organizacional, nela estão inclusos os valores organizacionais, que podem ser explícitos e/ou implícitos e que regem o comportamento de todos que compõem a organização. É necessário, entretanto, considerar também os valores pessoais dos funcionários que fazem parte da organização.

Por mais que a organização possa ter sua própria cultura, ela está inserida dentro de uma sociedade na qual as pessoas têm seus próprios valores, os quais podem entrar em conflito no momento da execução da estratégia.

Como exemplo, podemos citar as estratégias que definem o modo como as pessoas devem agir para alcançar os objetivos organizacionais – os quais foram traçados de acordo com os valores dos diretores da empresa. Caso essa maneira determinada de agir entre em conflito com algum valor pessoal dos funcionários responsáveis por tal ação, é possível que isso interfira no sucesso da execução da estratégia.

É fato que um funcionário deve se adequar à cultura organizacional para fazer parte do ambiente de maneira saudável. Entretanto, aqueles envolvidos no processo estratégico não podem desconsiderar o fato de os valores de cada indivíduo influenciar na execução da estratégia. Além, claro, de considerar os próprios valores organizacionais.
Isto significa estar comprometido com os resultados da execução da estratégia, e não somente com sua elaboração. Os resultados almejados são alcançados através da execução e não somente da elaboração. Deixar de lado fatores que podem influenciar na execução do planejado é colocar em risco todo o estudo e trabalho envolvido na elaboração da estratégia.

Cabe então aos profissionais de níveis gerenciais preocupar-se em alinhar os valores individuais dos membros de suas equipes com aquilo que empresa deseja para que os objetivos organizacionais possam ser alcançados através da estratégia elaborada. Não se trata de alterar os valores individuais, mas sim de utilizá-los a favor da organização.
Este é um trabalho que deve ser feito continuamente, pois os valores e as percepções das pessoas mudam conforme o conhecimento e as vivências delas evoluem. E esta é uma atividade que faz parte do controle da execução da estratégia.

Assim, conclui-se que é através da elaboração de estratégias que considerem os valores individuais (pessoais e profissionais) daqueles envolvidos na execução da estratégia, além dos valores corporativos, e do trabalho constante que busca alinhar todos esses valores que o sucesso da estratégia tem mais chances de acontecer.
É um trabalho difícil, mas não impossível. E os resultados são compensadores.

 

1 KLUCKHOLM, C. Value and value: orientation in the theory of action. In: PARSONS, T.; SHULLS, E. (Org.). Toward a general theory of action. Cambridge, Ma.: Harvard University Press, 1952.

 

Sobre o autor

Bruno Sampaio, profissional com mais de 10 anos de experiência em empresas de tecnologia, telecomunicações, comunicação e educação, é sócio-diretor da Intelliplan Consultoria Empresarial (http://www.intelliplan.com.br), empresa de consultoria especializada em pequenas e médias empresas, atuando principalmente com empresas de pequeno e médio porte nas áreas de estratégia empresarial e inteligência de mercado.



Bruno Sampaio


  Um Comentário para “|Artigo|A influência dos valores na elaboração e na execução da estratégia”

  1. Perfeito Bruno.  Acrescentaria apenas que se esses valores já estão “no sangue” e entre eles estiver o respeito (como saber ouvir, medir, etc) aos que trabalham na empresa, certamente no momento da contratação já se saberá (ou escolherá) o profissional que terá grandes chances de compactuar  dos valores.

    Nada melhor do que a entrada, para se ter uma breve ideia do prato principal, e acredito que hoje, muitas empresas não conseguem colocar suas estratégias em prática, porque não souberam selecionar os profissionais que vão acreditar e se empenha para ela ser praticada.

     

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